quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eduardo Guedes

"MINHA HISTÓRIA
No dia 06 de dezembro de 2013, às 19:00 horas, na cidade de Campo Grande/MS, concretizei o meu grande sonho profissional: tornei-me Promotor de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul! Sem dúvida um dos momentos mais marcantes da minha vida, em que a fantasia e a realidade se enlaçaram em perfeita harmonia. Tudo aquilo que almejara ao longo de anos estava diante de meus olhos, como um sonho que simplesmente não se permite terminar. Aqueles que olhavam para mim naquele momento mágico talvez jamais pudessem imaginar o quão árdua foi a caminhada até ali (à exceção, é claro, daqueles que estiveram e continuam ao meu lado até hoje).
Serei breve, porque descer à minúcias importaria em um longo texto que, por razões óbvias, não é o propósito do presente editorial. Pois bem, em janeiro de 2009 foi a minha formatura de conclusão do curso de Direito na UNIFESO (turma 2º semestre/2007). Tinha a consciência da importância daquele grande passo, mas sabia que era preciso ir muito além para conseguir uma colocação profissional. Logo no início da graduação vim transferido de outra Universidade. No meio do curso já havia tomado uma decisão: tornarme-ia Defensor, Promotor ou Juiz. Concluída a faculdade, um novo mundo se descortinava, e era preciso ir em busca do meu objetivo. Logrei ser aprovado no Exame de Ingresso na Escola da Magistratura - 2009 (EMERJ), e nos três anos seguintes estive empenhado em me dedicar aos estudos no prédio anexo do TJRJ. No final de 2009 prestei o concurso de Defensor Público do Estado de Alagoas, e fui aprovado nas vagas excedentes.
A notícia era de que todos os aprovados seriam nomeados, e em breve. Ledo engano: o concurso se arrastou por longos 5 anos (algumas coisas na vida só se tornam compreensíveis muito tempo depois).
Durante o curso da Escola da Magistratura tive a oportunidade de prestar outros concursos: alguns bons resultados, mas nenhuma aprovação, à exceção da prova de juiz leigo, que evidentemente não correspondia às minhas expectativas profissionais, inobstante fosse uma oportunidade de aprendizado e um fôlego financeiro para prosseguir com os estudos. A pressão só aumentava, aliás, ela é, diga-se de passagem, pressuposto lógico e necessário da vida de qualquer concurseiro.
Em 2010 me dediquei intensamente à preparação para o concurso de Defensor Público do Estado do Rio de Janeiro (havia sido estagiário e tinha/tenho grande apreço pela instituição). Passei na 1ª fase com a nota 56,5. Ótimo resultado. Estava entre as 60 melhores notas de um universo de pouco menos de 300 aprovados, cujo certame contava com cerca de 6 mil inscritos.
Estava muito confiante de que chegara a minha hora. Enganei-me novamente.
A prova específica de direito civil veio bastante difícil, mas dentro do esperado. Tinha conhecimento das questões, mas quando era para dar tudo certo, deu tudo errado. Estava na cara que a peça era uma apelação, mas talvez por estar bitolado demais com os estudos, e influenciado por uma aula de véspera num cursinho, optei por fazer embargos de terceiro preventivo heterotópico. Viagem total. Peça zerada, e um grande tombo.
Restou-me assumir o cargo de juiz leigo, marcado por um momento de profunda estafa dos estudos. Fui lotado no JEC Santa Cruz, onde tive o prazer de muito aprender. Era agosto para setembro de 2010. E dali até junho/julho de 2011, abandonei os estudos. Não tinha vontade nem
motivação para estudar. Ganhava um bolsa módica mas que supria minhas necessidades (o aperto financeiro antes era grande, já que onerava significamente meus pais, que, aliás, sempre me apoiaram incondicionalmente, e se hoje estou onde estou é graças a eles!).
Em junho/julho de 2011 comecei a tentar retomar os estudos. Alguns amigos estavam firmes na vida do concurso, e tentei ir no embalo deles. No final de 2011 me inscrevi para o concurso de Delegado de Polícia de Minas Gerais, e após lograr aprovação na 1ª fase do concurso voltei a tomar gosto pelos estudos. A partir daí comecei a me inscrever em alguns certames para a Magistratura e Ministério Público. No final de 2012 já havia sido aprovado nas específicas, prova oral, e psicotécnico do concurso de Delegado de MG.
Restavam apenas a prova física (fase pro forma porque, salvo engano, ninguém reprovou) e o curso de formação de três meses em Belo Horizonte.
Estava entre a cruz e a espada. A coisa estava apertada no exercício da função de juiz leigo. Tinha pouco menos de dois anos de garantia de que continuaria vinculado ao Tribunal de Justiça (só é permitido exercer a função de juiz leigo por 2 anos, prorrogável uma única vez). Aliás, o Tribunal só estava arrochando nossa vida: mais trabalho e menos $$$. De outro lado tinha a possibilidade de ingressar numa carreira estável, com status, e para ganhar mais que o triplo do que ganhava, muito embora não tivesse vocação para o exercício da missão policial. Nunca havia desejado isso (embora seja uma carreira almejada por muitos). Era, em suma, um acidente de percurso. Decidi abandonar o concurso de Delegado por minha conta e risco, e seguir na temporária e incerta função de juiz leigo. Muitos acharam loucura. Mas nesse momento já havia readquirido o ritmo dos estudos, e estava começando a obter bons resultados nos concursos que realmente desejava: “MP” ou “Magis” (nesse momento tinha os três anos de prática jurídica e já me inclinava pelo Ministério Público, inclusive me adaptando melhor às suas provas). Era lá que eu sonhava chegar. Nem preciso dizer que esse período foi tenso, mas hoje olho para trás e tenho a certeza de que valeu a pena me jogar nesse arriscado caminho. Como diz aquele sábio e velho ditado: “Deus escreve certo por linhas tortas”.
O ano de 2013 foi intenso: algumas segundas fases, muitas viagens com os camaradas de concurso, e uma certeza: minha hora enfim havia chegado!
Logrei ser aprovado no concurso de Promotor de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul, onde fui abraçado por um povo bastante acolhedor, Estado esse no qual me sinto absolutamente realizado por exercer este importante mister. Tive, ainda, a satisfação de alcançar aprovação para a fase oral do concurso de Promotor de Justiça do Estado do Espírito Santo (cuja prova até hoje não se realizou).
Ahhh,  lembram daquele concurso da Defensoria de Alagoas?! Pois é, alguns meses depois de iniciar meus passos no MPMS, estou numa convocação em Campo Grande quando recebo uma ligação de uma colega que residia em Recife/PE e também estava aprovada naquele certame. Queria saber se eu tinha interesse em assumir o cargo de Defensor, pois o Governador estava na iminência de nomear os remanescentes...!
Fiquei feliz com a notícia; lembrei-me da angústia e da expectativa que aquele concurso me proporcionara, além do fantasma do “será que ainda passo em outro concurso?!”. Felizmente pude dizer não, embora tivesse desejado muito no passado ter vivido a experiência de ser Defensor naquele Estado. Não era para ser. Realizei-me por ter me tornado Promotor de Justiça. Aliás, encontrei-me na profissão, que o grande Professor e Procurador de Justiça do Estado de São Paulo Edilson Mougenot Bonfim qualifica como sendo “um sacerdócio”. E mais: sinto-me agraciado por morar no MS, um estado pouco conhecido, em franco crescimento e de grandes belezas naturais.  
Após um ano já me sinto adaptado às suas peculiaridades locais.
Concluindo, peço perdão ao leitor por ter me alongado bem além do que propusera no início. Mas são tantas experiências vividas ao longo dessa longa jornada que torna difícil, senão impossível ser breve e sucinto. Tentei sê-lo, e oculto desse relato muitas histórias que vivi. Mas não posso finalizar sem registrar a minha profunda gratidão a Deus por ter me trazido até aqui, e ter permitido viver “desertos” que foram fundamentais para alcançar a “terra prometida”. Agradeço aos meus pais pelo amor e apoio incondicional. À minha irmã e cunhado pela parceria. A minha esposa e companheira por fazer parte dessa história sempre estando ao meu lado. E por fim, a todos os meus familiares e amigos que estiveram e estão comigo nessa jornada fascinante que é a caminhada da vida!
Não posso deixar de registrar também a minha gratidão aos guerreiros da vida concursal, desde os amigos de faculdade, os colegas de EMERJ, e os camaradas que estavam sempre na Biblioteca da UNIFESO – onde frequentava e estudava nos tempos que precederam minha aprovação - e que também estavam juntos nas viagens e concursos por esse Brasil afora, tornando mais aprazíveis os difíceis dias que a vida do concurso nos reserva.
Claro, não posso deixar de lembrar dos grandes mestres que muito me influenciaram, cujos ensinamentos levo comigo como um tesouro guardado a sete chaves.
Hoje, olho para trás, e vejo que todo o esforço valeu a pena. Parafraseando o grande Poeta Fernando Pessoa: “(...) pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo!”. Por outro lado, olho adiante, e percebo que ainda há muito a percorrer, e mais ainda a construir. Os desafios e a responsabilidade que a carreira Ministerial impõem, arrefece a vaidade, e dimensiona o importante papel de transformação da realidade social que ser Parquet proporciona a mim e a todos os colegas que integram os quadros dessa importante Instituição! Peço a Deus que me agracie com a fonte da sabedoria, de modo que a minha atuação profissional seja, ao menos, um vislumbre de esperança de dias melhores àqueles que tanto necessitam da promoção e realização da justiça social.
Hoje tenho a absoluta convicção de que estou onde deveria estar. Ser Membro do Ministério Público significa a minha realização profissional. O exercício da missão constitucional que nos é conferida é bastante árdua. São muitas as atribuições que nos cercam, as quais exigem um constante aprimoramento teórico, sem embargo da necessidade de se ter a adequada sensibilidade para lidar com as mazelas sociais que nos afligem cotidianamente. Ademais, é necessário também ter a firmeza e a coragem para ser a voz da sociedade na incessante luta contra a criminalidade e a corrupção, além de personificar a posição de fiador das futuras gerações na busca perene pela preservação do meio ambiente, dentre tantas outras atribuições que fazem do Parquet uma das Instituições mais respeitadas pela sociedade Brasileira.
Enfim, esse é um pequeno resumo da minha caminhada após a conclusão da graduação. Desejo todo o sucesso aos colegas formandos e estudantes da UNIFESO, e espero que meu breve relato sirva de estímulo e inspiração àqueles que estão na busca de sua colocação profissional e realização pessoal.
Estou à disposição. Grande abraço!!!
Campo Grande, 17/12/2014.

Contato: eduardo_guedes@mpms.mp.br"

2 comentários:

  1. Querido amigo Eduardo, Saiba que é uma honra muito grande fazer parte de capítulos de sua bela história de vida. Desejo que Deus continue abençoando os seus passos, fazendo de você verdadeiro instrumento para a promoção da justiça. Parabenizo-o não só pela brilhante história de vida que tem traçado dia a dia, mas também pelo ser humano formidável que você é! Um grande abraço, Lud.

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